segunda-feira, 11 de julho de 2016

Relações de antigamente: de essências ou de aparências?


Lembro bem das palestras que ouvia enquanto participante de grupo de adolescentes e de jovens. Era lindo. Os casais que ministravam eram perfeitamente donos de uma verdade absoluta. Falavam de Deus com propriedade, das regras básicas para a felicidade no amor, respeitando, obviamente, o que deveriam ser normas religiosas, o que eram regras morais para a sociedade e o que era apenas tabu.

Mais de 25 anos se passaram e hoje percebo algumas falhas naquilo que ouvi incessantemente. Conheço e sou amigo de alguns casais que prosperaram na essência da relação a dois. São verdadeiros exemplos. Outros não tiveram tanta sorte e sucumbiram em suas próprias estruturas edificadas sobre a areia. Centraram suas vidas num mundo surreal de normas apenas e plastificaram a relação tornando-a de aparência. De antemão ouso classificar nos quesitos moralismo religioso exacerbado, inexperiência, inocência, falsidade ou hipocrisia, tudo isso fruto de uma exagerada fixação pelas regras doutrinais. Esqueceram de fazer o "céu" valer aqui na terra, sob o teto matrimonial.

Meus avós, que fazem parte dos honrosos casais de antigamente que deram certo, mesmo após a partida de cada um, continuam sendo para mim o maior exemplo de boa relação e superação. Construíram um sólido alicerce, sem frescura, sem muito entendimento doutrinal, mas regado de perseverança, cumplicidade, respeito e amor. Orgulho! Não deixaram nada a desejar aos filhos e netos. Se a descendência não progrediu na questão matrimonial e familiar, com toda certeza não foi culpa deles.

Óbvio que muitos casais que se formaram antes da metade do século passado viveram sob o pilar da aparência social, tão somente. Romper com as aparências era constrangimento, quase um crime que repercutia negativamente entre a sociedade e a família. Existia sim casamentos arranjados e isso não é novidade. Graças a Deus não foi o caso dos meus avós.

Já na segunda metade do século XX, eis alguns exemplos dos quais me refiro no início deste escrito: os casais que pregavam regras de uma perfeita relação mas esqueceram de viver o amor. Focaram nos mandamentos institucionalmente religiosos e moralísticos mas não cederam às boas, pequenas e simples práticas que requer uma relação a dois.

Não quero aqui fazer o papel de acusador aos que um dia estufavam o peito no púlpito a falar do que deveria ou não fazer, certo e errado, bem e mal. Mas, quero sim, mostrar que muitos casais que se formaram longe dos holofotes das religiões também venceram e são felizes até hoje. Portanto, à felicidade e ao amor não cabem regras externas. Vale a intensidade do que se vive, cultivada na essência de cada um, a sós, a dois.
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