sábado, 21 de maio de 2011

Terceiro sonho, menos uma.

"Ela foi morta por minhas mãos...
Num único golpe certeiro
com um martelo que foi do meu avô,
e hoje está comigo.
Golpe este que acertou sua cabeça e seu guiso
Ela ficou imóvel,
aparentava ser grande
pois dava várias voltas em torno de si
Não tive medo e não hesitei em acertá-la
O
local era muido conhecido, familiar
pois estive nele em muitos dias de minha infância
Era a casa da Nina, seus filhos e seu marido.
Um terreno grande, um pé de laranja
que brincávamos nele
Era um quintal gostoso de estar
chamativo a qualquer criança
que gostasse da variedade do verde e da terra
cenário perfeito para grandes invenções
de pequenos geniosinhos...
A visão do local era perfeita
impossível de não reconhecer
A família da Nina, hoje,
basicamente se resume nele e seu neto,
filho de seu filho mais velho.
Separada de seu marido, alcoólatra,
não pode fazer muita coisa pelos filhos.
O mais novo escolheu viver sua vida de maneira não convencional
Tornou-se pastor de uma igreja para homossexuais, segundo as últimas notícias.
O mais velho, traficante, preso em outro país.
A filha do meio, sua única companheira fiel,
minha amiga de infância, parceira de diversas quadrilhas em festa junina,
companheira de trajeto casa-escola...
vivemos uma vida escolar do pré ao cursinho pré-vestibular.
Morreu na cidade de Bauru, aos seus vinte e um anos de idade,
no primeiro ano do curso de Serviço Social,
Vítima de aneurisma cerebral...
Um choque, uma dor inigualável ...
Foi encontrada caida no banheiro da faculdade.
Levada com vida para o hospital,
não aguentou as primeiras setenta e duas horas,
teste, de sua sobrevivência, dado pelos médicos.
Em seu caixão, branco,
a visão derradeira das diversidades, dos contrastes,
das desilusões, questionamentos sobre o que vale a pena ser,
acreditar e morrer
Por que uma jovem, no auge de sua vida,
é levada de forma tão sem explicação ?
Tantas pessoas não merecedoras do ar que respiram,
continuavam por aí ...
Enfim, contrastes da vida ... injustiça cruel ...
Sobre a cobra que matei, quase nem me importa mais ...
Um problema a menos talvez, resolvido de maneira rápida e objetiva,
num golpe absoluto.
Muito mais do que um problema resolvido ou
uma cobra morta,
valeu relembrar e sentir saudades
de uma infância pura, bem vivida
repleta de histórias e encantos,
amizades e intrigas infantis,
superação,
de uma vida abençoada de amigos e amigas
que no decorrer dos anos que se seguiram
cada um escolheu o seu caminho
e o trilhou com seus fascíneos
e suas consequências ...
Não fazer da morte uma pausa eterna,
mas sim, uma reflexão do quão bela a vida é,
tão simples, curta, foi a lição deste sonho ...
Um abraço aos amigos e amigas
e que nossa distância nos permita
estarmos próximos,
no coração e nas orações..."

Ailton Domingues de Oliveira